SÃO PAULO LIBERA REALIZAÇÃO DE RODEIOS E OUTROS EVENTOS AGROPECUÁRIOS

"São Paulo libera hoje a realização de rodeios, feiras, exposições e leilões agropecuários, com presença de animais suscetíveis à febre aftosa, como bovinos, suínos, bubalinos, ovinos e caprinos." A medida, anunciada dia 17 pelo governador Geraldo Alckmin, foi publicada no dia 18 de novembro no Diário Oficial.

Os eventos estavam suspensos desde o dia 26 de outubro, como ação preventiva à contaminação por aftosa. O calendário de exposições de algumas cidades que cancelaram os eventos nesse período deve ser retomado somente em 2006. Já as festas de peão marcadas para o mês de dezembro devem ser realizadas normalmente. Foram cancelados os eventos de Avaré, Bauru, Guararapes, Costa do Sauípe, entre outros. A Expo de Avaré será uma das primeiras da programação, em fevereiro.

No estado do Paraná desde o dia 11 de novembro está liberada a realização de eventos agropecuários em todo o estado do Paraná, exceto nos municípios de Amaporã, Grandes Rios, Loanda e Maringá e em outras localidades que tenham animais provenientes desses municípios, que continuam interditados por suspeita de focos de febre aftosa.

O governo paulista estabeleceu critérios para a entrada de animais vulneráveis à aftosa, seus produtos e subprodutos, provenientes do MS e Paraná. O acesso continua restrito aos 41 municípios afetados pela doença. O ingresso de bois será apenas para abate imediato, em caminhões lacrados. O mesmo transporte deve ser para carne com osso e subprodutos, como vísceras congeladas e tripas salgadas. A entrada dos animais, seus produtos e subprodutos será permitida só pelos corredores sanitários definidos anteriormente pela Secretaria de Agricultura. São três corredores na divisa com o MS e cinco com o PR.

"Havia um entendimento de que tudo isso (a flexibilização) só seria feito quando a vacinação (segunda etapa anual, realizada durante novembro) atingisse pelo menos 85 por cento da cobertura", afirmou o secretário da Agricultura, Duarte Nogueira.

Até agora a imunização contra a aftosa no Estado já atingiu 90 por cento do rebanho de cerca de 14 milhões de animais -- a meta é chegar perto de 100 por cento.

A suspensão de rodeios, decretada pelo governo estadual para diminuir o risco de propagação da febre aftosa, atinge diretamente Rio Preto e região. Os prejuízos calculados pelos empresários do setor nas últimas semanas (14 dias) chegaram a R$ 1,6 milhões. O agropecuarista e tropeiro Neto Oger contou que teria prejuízo de R$ 70 mil até o final do ano com a parada dos rodeios. “Tenho 70 animais para participar do rodeio e eles estavam parados”. Paulo Emílio, tropeiro de touros não chegou a estimar os prejuízos, mas havia dito que 14 eventos dos quais ele iria participar foram cancelados.

O setor gera em média 200 empregos temporários por rodeio e reúnem um público de 100 mil pessoas por final de semana. Mesmo em baixa temporada, os eventos poderiam faturar R$ 2 milhões por final de semana. A febre aftosa não prejudica só a agropecuária no interior. O turismo também perde já que muitos amantes do rodeio se deslocam para as cidades onde os eventos são realizados. De acordo com o calendário da Secretaria da Agricultura, há no Estado de São Paulo 693 festas. Por mês, são 58 ou 14 por semana. A média de público é de 4 mil por dia de evento - geralmente as festas começam na quinta-feira e acabam no domingo. Cobrando ingresso de R$ 10, movimentam R$ 560 mil por dia.

O diretor do Recinto de Leilões Anisio Haddad, de Rio Preto, Edson Selime, disse que já programa um leilão para quinta-feira da próxima semana. A empresa deixou de promover cinco remates, que ofertariam uma média de 500 animais cada, o que causou grande prejuízo, segundo Selime, que prefere não citar valores.

Fonte: TV Rodeio